Gritty Investor

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When The Going Gets Tough, The Tough Get Going. É com esse provérbio famoso, imortalizado pela música de Billy Ocean, que Pedro abre a newsletter Gritty Investor. Em tradução livre, quando avançar fica difícil, o difícil continua avançando.

Um dos gestores mais influentes do Brasil, semanalmente, divide com você ideias que resultam de sua rotina como gestor da Skopos.

Ele vai te ensinar lições sobre mais do que apenas investir… trará insights que podem mudar sua vida financeira.

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Gritty Investor #64 - Conselhos de uma tartaruga
A importância do processo para o sucesso nos investimentos

Oi.

Ainda estou atordoado pelo longo voo de volta de Kona, no Havaí, e das sete horas de fuso horário que separam o Brasil daquela ilha isolada no meio do Pacífico. Saí de um ambiente cujo único foco era a discussão política em torno das eleições e fui para um ambiente onde o único foco era a disputa do campeonato mundial de Ironman. Agora, voltei para o ambiente da eleição e os ânimos estão mais acirrados do que nunca.

Posso dizer que, hoje, estou cansado; cansado de triathlon e cansado de política. Quero retomar a tranquilidade da rotina diária. No fundo, quero me livrar da ansiedade que a final do mundial e a eleição presidencial criaram nos últimos meses. Essa sensação de que tudo se define agora. Já sei a sensação de terminar o Ironman. Por isso, imagino como vai ser a sensação depois do segundo turno: nada mudará e a vida continuará. Foi só outra prova. Será apenas mais uma eleição. Nada estará resolvido e todas as possibilidades ainda estarão lá, esperando para se concretizar.

Sempre enfatizei as semelhanças entre a prática de uma atividade esportiva e investir. Ambas dependem de disciplina e demandam tempo. Em nenhuma os resultados são garantidos. Existe sempre uma combinação de mérito e de sorte.

A diferença principal é que, para mim, o esporte traz apenas uma recompensa íntima, não monetária e - diria até - irracional. E, justamente, por ser uma atividade íntima e individual, tenho certa dificuldade de falar das minhas experiências.

O que eu posso dizer é que este ano eu cheguei preparado para a prova. Apesar de ter conseguido um bom tempo e um recorde pessoal lá (9h27min), cometi alguns erros e tive alguns infortúnios que me impediram de fazer a corrida perfeita. Essa mistura de sentimentos, de saber que tudo deu certo na preparação e que por detalhes não foi possível atingir o que eu considero ideal, é que mantém em mim a chama acesa.

Mas a prova perfeita não acontece no dia do evento. Ela começa muito antes, durante a fase de preparação. Ela é fruto não somente do esforço no dia ou do período de treinos que antecede a final. É resultado de uma série de experiências passadas, de erros cometidos, de lições próprias ou aprendidas com aqueles que já estiveram lá. Daqueles que já escalaram a montanha. Não dá para julgar tudo o que aconteceu apenas pelo tempo de chegada, apesar de não haver outro indicador melhor.

É preciso dar atenção ao processo que nos leva ao resultado. É necessário aprender com a experiência, ser brutalmente sincero para assumir a responsabilidade pelos erros e humilde o suficiente para aceitar que ainda existe muita coisa que não sabemos e não controlamos.

Eu mantenho um diário eletrônico detalhado de todos os meus treinos. Por ano, pratico em média 880 horas. Mas, antes das principais provas, esse volume é maior e se aproxima de 24 horas por semana nas 3 modalidades. Para esse ano, em média, em cada uma das últimas sete semanas eu nadei em 18 km, pedalei 420 km e corri 80 km. Não fiquei doente, não tive lesões e não furei um pneu sequer. Tudo deu certo.

Além disso, estava gerindo o fundo em um período extremamente delicado e falando diariamente com os participantes do projeto 1+100, em uma experiência nova para mim. O fundo performou bem e acho que o projeto atingiu a maioria dos objetivos propostos. Pessoalmente, foi uma fase produtiva depois de um período turbulento.

O fato de saber que eu tinha feito o que estava ao meu alcance até então me deixava com a sensação de que tudo era possível na largada. E é justamente essa a sensação que eu julgo fascinante. Ao entrar na água junto com outros 2.300 atletas, a vitória, ainda que improvável, era factível. O resultado final já não importava tanto. O processo que me levou até aquele momento estava terminado e o objetivo foi alcançado: estar em uma posição em que o sucesso era possível.

Essa é a grande lição que, como investidor, devemos tirar dessa história. Não devemos focar no resultado de cada um dos eventos, mas na preparação para que o melhor resultado seja possível. Sem preparação, o sucesso não acontece.

Uma vez que o investidor tenha a disciplina e a determinação de se preparar, ele vai entrar em um oceano de oportunidades junto com os melhores e a vitória não será um sonho, mas uma possibilidade. Se você procura certezas, não vai encontrar isso no Ironman e nem na Bolsa.

E foi numa praia do Havaí que recebi de uma tartaruga marinha uma lista com alguns dos melhores conselhos de investimento que já vi.

Conselhos de uma TARTARUGA MARINHA

Nade com a corrente

Seja um bom navegador

Fique calmo sob pressão

Seja bem viajado

Pense em longo prazo

Envelheça graciosamente

Gaste tempo na praia

Essa tartaruga sabe mais verdades do que a grande maioria dos especialistas em investimento, com seus linguajares rebuscados e suas fórmulas de sucesso que mudam a cada estação.

Um abraço,

Pedro

Especialista responsável:

Pedro Cerize

Sócio da Inversa e gestor de fundos de investimento

Uma mente genial e influente, que vive nos bastidores do mercado financeiro, compartilha com seus leitores lições e insights fascinantes aprendidos durante seus 30 anos de experiência no mercado.